Thursday, September 07, 2006

CAOSAGONIA: UM ACORDE COM NINGUÉM


Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu esbravejo matilhas ofegantes, espumando
Pela Caça Fugidia que desliza espectral
Dos ombros inefáveis de Deus.

Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu estremeço legiões de demônios, temendo
Pelo Tudo Distante que emerge seminal
Dos ombros inomináveis de Deus.


Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu enlouqueço nômades errantes, viajando
Para Lugar-Nenhum que habita abismal
Os ombros intransponíveis de Deus.

Meu cansaço esfacela-se sem nome
E eu...
Que esbravejo por esta Caça,
Que estremeço por este Tudo,
Que enlouqueço por este Lugar-Nenhum,
Busco desbravar o labiríntico
Dessas sendas sem nomes:
Golpes golfando impotência
Diante dos ombros absurdos de Deus.



(DiAfonso)

3 Comments:

Blogger eurico said...

Um poema que dói como uma adaga. Melhor: como uma faca amolada, peixeira de Maragogi, sim, aquela de tratar peixes. Abre nossas guelras, nosso flanco nu. Somos crísticos, cáusticos, caos.
E o assombro: mesmo no caos e na agonia há Poesia!
Protopoesia?

5:06 PM  
Blogger Israel Ozanam said...

Essa foi a melhor coisa escrita por ti que li até agora. Depois gostaria da permissão de copiar para o meu PC.

5:27 AM  
Blogger Josylene said...

Nem preciso comentar...,meu querido amigo Israel já disse tudo.

Literalmente poeta Diógenes Afonso.

Tá perfeito!

Beijos.

12:51 PM  

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